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Pedro Sargento

    Forma, matéria e presença
    • Este estudo analisa as determinações do conceito de «forma» entre os anos setenta do século XIX e os anos vinte do século XX, com foco na transição entre os dois séculos. A premissa central é a mutabilidade da forma ao longo da história da estética, evidenciada pela sua centralidade nas problemáticas estéticas desde a teoria platónica das ideias até pensadores da Antiguidade, neoplatonismo, latinos, e filósofos e artistas do Renascimento e da Idade Moderna. O período em questão revela uma novidade na referencialidade da forma, que passa a incorporar materialidade, presencialidade e espácio-temporalidade, após uma longa associação com o ideal e o absoluto. É o surgimento da história da arte moderna, que, ao discutir seu objeto e valor e ao se estabelecer como ciência autónoma, redefine a forma como uma aparência sensível, enfatizando a relação cognitiva entre a forma artística e sua audiência. Essa busca por independência renovou a estética e a teoria da arte. As transformações atuais, impulsionadas por inovações técnicas e tecnológicas, bem como pelo novo paradigma antropológico e cultural do «pós-humano», reativam essas questões. As origens da relação entre forma, aparência, matéria e presença revelam aspectos fundamentais da atual alienação do sentir e das contaminações entre corpo e «coisa».

      Forma, matéria e presença